ENDOMETRIOSE

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"Ficaria tão orgulhosa se publicassem o meu depoimento, podem e têm minha autorização, com certeza....Sou divulgadora do trabalho de vocês e sempre divulgarei, enquanto eu puder. Sempre que puderem me mandem os boletins. Já entreguei todos os papéis que vocês me mandaram sobre Endometriose, pois trabalho na USIMED de Blumenau, que é uma farmácia de cooperados dos usuários da UNIMED, assim tenho contato direto com os médicos ginecologistas, e cheguei a entregar no consultório deles. Na medida do possível, vou cadastrar todas as mulheres que conheço, para vocês, ok?

 Um grande beijo, fiquem com Deus....

Amo todos vocês,

Vanessa/SC

++++++++++

 Sofro de Endometriose desde os 15 anos, isso depois de passar por muitas dificuldades sem saber que era a Endometriose, que só foi descoberta aos 19 anos, com 21 fiz laparoscopia, que a detectou. Aos 24 fiz laparotomia. Agora com 27 anos, estou muito bem, mas todos os anos de minha vida, passei muito mal, com fortes cólicas de me deixar de cama, ou eu saia correndo para o pronto-socorro, achando que tinha estourado o apêndice...Aqui não tem médicos especialistas em Endometriose, me trato com um médico de SP, que agora se mudou para cá para ajudar as pacientes, ele atende pelo SUS, isso que é muito importante. Agora, graças a Deus, estou bem. Entrei neste site para agradecer as revistas que sempre recebi e continuo recebendo da ABEND, leio todas, atentamente, e sempre estou distribuindo para pessoas que têm Endometriose.

Muito obrigada por vocês existirem, muitos dos sintomas que vocês relatam da Endometriose na revista, eu consegui comprovar com meus familiares e médicos para não duvidarem de mim. Minha irmã com 20 anos, descobriu que, também, tem Endometriose, ainda não fez nenhuma cirurgia, apenas está na fila de espera do SUS para se consultar com o mesmo médico que eu.

Obrigada, Deus abençoe todos da ABEND,

Vanessa/SC"

 

"Marabá/PA, 11 de abril de 2005.

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Olá amigas da ABEND,

 

meu nome é Lucilene, tenho 30 anos, e aos 26, fiquei sabendo que sofria de Endometriose, por muito tempo sofri em silêncio, mas graças a Deus, essa doença não me deixou infértil, pois tenho duas filhas que são a razão da minha felicidade.

As minhas menstruações foram sempre muito dolorosas, chegando às vezes ao ponto de me deitar por não suportar de pé, tamanha dor.

Hoje, aos 30 anos tenho apenas um dos ovários - direito -, o esquerdo foi removido junto com um cisto.

Essa situação tem me causado muita tristeza e dor, uma vez que após a cirurgia para retirada do cisto, já apareceram outros, mas meu médico tratou com medicação, graças a Deus!

Escrevo à vocês porque quero fazer parte desta associação, não sei qual é o regulamento, mas se possível gostaria de saber.

Desejo obter mais informações a respeito desta doença, bem como os avanços da ciência a esse respeito.

Às vezes converso com médicos, porém o tempo que passamos frente à frente, no consultório, é muito pouco para sanar minhas curiosidades.

Contudo, agora nesse momento que escrevo esta carta, acabo de chegar do consultório médico, e para minha surpresa e desespero, estou com outro cisto no ovário direito, tenho medo, muito medo que mais uma vez seja preciso submeter-me a outra cirurgia, estou sendo medicada.

Por favor, preciso de ajuda, espero que esta carta chegue às mãos de alguém que possa me ajudar a ter um pouco mais de tranquilidade.

Finalmente, deixo o meu abraço a todos e espero, em breve, receber um retorno.

Lucilene/PA"

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Olá

Conheci o site através das buscas na internet e fiquei muito 
satisfeita com o trabalho que é feito pela Abend. Faço consultas diárias para 
conhecer um pouco mais da doença.

Tenho dúvidas pois o meu diagnóstico foi recente e, como aconteceu 
com > várias mulheres, foi através da busca p/ engravidar.

As minhas dúvidas são referentes ao tratamento que temos que fazer.
Tenho 40, já tomei uma dose do zoladex mas não gostaria de induzir o 
meu organismo p/ menopausa neste momento. Os tratamentos hormonais são bastante
complicados e os efeitos colaterais são terríveis na minha opinião.

Gostaria de saber, se possível, quais são os medicamentos que causam 
menos impacto ao nosso organismo.

Li que há meninas com 15 anos e já tem o problema diagnosticado, o
tratamento que elas devem fazer deve ser mais ameno pois não vão 
induzir o organismo p/ menopausa nesta idade e, também, creio eu, não vão 
tornar estas meninas inférteis tendo a vida inteira pela frente.

Me vejo um pouco desesperada pois não sei como optar, junto com o meu
médico, qual será o melhor tratamento pois as opções não são muito
agradáveis.

Gostaria de saber também se há locais no Rio de Janeiro onde sejam
ministradas palestras, estudos, livros sobre o tema.

Outra dúvida é que há pouca literatura na internet sobre adenomiose 
e, caso vcs tenham algum material, gostaria de conhecer também pois, parte do 
meu útero e o colo tem adenomiose.

No mais, agradeço a atenção dos senhores e aguardo um retorno,
Atenciosamente,

Luanna.

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"Prezada Eleuze,

Tenho Endometriose e sofri muito quando descobri sobre a minha condição, por não haver muitas informações sobre a doença aqui no Brasil. Recorri à Internet e aos grupos de apoio internacionais para me informar e me consolar com outras colegas que sofriam do mesmo problema.

Gostaria de parabenizá-la pelo seu trabalho e dedicação. A sua persistência fez com que muitas brasileiras tivessem um referencial, afinal, a Endometriose ainda é uma "desconhecida"e "infeliz" ocorrência na vida de milhares e milhares de mulheres no Brasil e no mundo. Resta-nos consolarmos umas às outras.

Eu, infelizmente, por mais que tenha lutado para entender o que acontecia comigo, e por mais que eu soubesse que havia realmente algo de errado com o meu corpo, não com a minha mente, só fui encontrar um profissional digno, ético e "humano" após 12, longos, anos de sofrimento. Foram 12 ginecologistas, um para cada ano de sofrimento. E por causa desta demora em descobrir o que estava tão aparente, mas os médicos insistiam em dizer que quando eu tivesse filhos passava; me impossibilitou de ter filhos naturalmente.

Hoje (16/10/2003), estou começando a minha caminhada rumo ao FIVETE, ou bebê de proveta. Tenho 31 anos de idade e não sei se vai dar certo, mas vou tentar. 

Um abraço,
Ana Paula/SP"

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"Porto Alegre, 18 de abril de 2005.

Querida Eleuze,

 
            Venho te pedir informações e conselhos de como viver com Endometriose, sem entrar em desespero, pois foi descoberto que eu tenho Endometriose em 99, mas já sofria deste mal desde 95. Foi feito tratamento com vários antiinflamatórios que não resolveram em nada, após várias tentativas, foi feita minha primeira laparoscopia, sendo encontrados focos atrás do útero e no intestino, formando aderências. Após a descoberta, tomei Ladogal por 6 meses, meu peso que era de 54kg passou para 63kg em um mês, isso no ano 2000; só consegui voltar ao meu peso normal no final do ano passado.
       Em 2002 foi feita a segunda laparoscopia, pois o Ladogal só fez efeito durante os 6 meses em que eu estava tomando, após o Ladogal foram tentados vários anticoncepcionais de uso contínuo, mas pouco resolveu, pois a dor sempre voltava, mesmo eu não estando menstruada, era uma dor tão forte que eu tinha que parar o que eu estava fazendo e ficar agachada apertando a barriga até a dor passar. Na vídeo foi descoberto que a aderência havia voltado e que um foco de Endometriose estava na bexiga.  
     Quando eu estava na recuperação da cirurgia, passei mal, com muito enjôo e parecia que minha pressão estava baixa e uma sensação horrível que eu iria desmaiar, após eu ter me recuperado um pouco pedi para a enfermeira me levar ao banheiro, pois estava com muita vontade de urinar, mas não consegui, pois foi me levantar para cair, com aquela sensação de desmaio. Só fui urinar em casa. 
       Pedia ajuda para minha mãe me levar ao banheiro. Eleuze, nunca senti tanta dor ao urinar, parecia que eu estava urinando "navalhas", eu chorava muito com a dor, e para os vizinhos não ouvirem meus gritos, eu pegava uma toalha e abafava o som, cada ida ao banheiro era a mesma coisa, de tão cansada, eu dormia várias horas, pois a dor era tão forte que eu cansava. Liguei para minha ginecologista e ela disse que por causa do procedimento, uma infecção poderia ter sido formada, ela me receitou um medicamento que foi como tirar a dor com a mão. Com e resultado do vídeo, minha ginecologista propôs que nós ficassemos só com anticoncepcionais, de uso contínuo, mas, em 2004, por volta de novembro, quando haviam escapes da menstruação, eu também sangrava pelo ânus, um sangue vermelho vivo com pequenos coágulos, sem falar da dor ao sentar. Voltei à minha ginecologista, ela propôs procurar um proctologista. 
     Em março foi feita a colonoscopia, onde foram encontrados focos de endometriose no intestino. Minha ginecologista disse para continuar com os anticoncepcionais de uso contínuo. Um dia desses, conversando com uma amiga de minha mãe que tem Endometriose, descobri que ela se espalha para o resto do corpo, no caso dela tinha um foco no canal do ouvido, toda vez que ela menstruava, o ouvido sangrava também; fiquei horrorizada, perguntei para minha ginecologista se era verdade, como se fosse a coisa mais comum do mundo, ela me disse que sim! Fiquei brava, perguntei como estão os estudos sobre essa doença, a evolução de novas drogas, ela me disse que novas drogas existem, mas são muito caras. Sai do consultório dela muito brava, e me perguntando: por que eu tenho isso? Por que minha ginecologista nunca me disse que isso se espalhava para outros órgãos sem ser o próprio útero, cheguei em casa arrasada, com uma vontade de chorar sem fim.
       Eleuze, eu trabalho numa clínica de estética, tenho uma cliente que é médica e que também tem Endometriose, falei para ela sobre o meu caso, pedindo uma opinião, ela me falou tanta coisa que eu não sei se foi melhor eu ter ficado quieta, do que perguntar. Ela me disse que Endometriose no intestino pode formar pequenos cistos e destes cistos se tornarem câncer, disse que minha médica está me tratando de uma forma errada, que ela é totalmente incompetente de não me informar sobre a possibilidade do câncer e sobre os focos se espalharem sobre o resto do corpo.
Já não sei o que fazer, cada um me fala uma coisa diferente, e só sei que cada dia fico mais apavorada. Eleuze, você tem como me informar, em quais partes do corpo a Endometriose se espalha? 
      Se focos de Endometriose podem surgir no cérebro? E, se surgir o que pode acontecer? Será que estou me tratando com uma boa profissional, pois já estou com ela há 6 anos, e ela não é uma profissional nova.
      Querida Eleuze, você não tem alguém aqui em Porto Alegre que esteja estudando profundamente esse tipo de doença?


Gostaria de saber como posso colaborar com a ABEND.
Muito obrigada pela atenção, um grande abraço para você,
MFB/RS" 

Janeiro/2002

 “Sou carioca, casada há 10 anos, sem filhos, portadora de Endometriose diagnosticada há 3 anos. Ao diagnosticar a doença, em seguida conheci a Eleuze Mendonça (ABEND). Fazer parte da “Família ABEND” foi e é, antes de tudo uma bênção. Boa parte das informações sérias, por mim adquiridas, vêm pela ABEND: encontros que participei, jornais anuais que recebo, do livro que adquiri e li, pelas longas conversas com a querida e paciente Eleuze. Com o médico apropriado, informações corretas, muita força de vontade e determinação, vem a REDENÇÃO: qualidade de vida melhor. Hoje, sou portadora de uma doença crônica, sem causa determinada ou cura apontada. Mas sou, estou consciente, encaminhada, feliz. Obrigada Eleuze, ABEND e doutor.”

Adriana D’Elia Chamovitz, 35 anos, administradora, Rio de Janeiro.

   

“Descobri que sou portadora de Endometriose em 1998. Na época, poucos médicos diagnosticavam a doença e muitas eram as dúvidas sobre o melhor tratamento. Naquele momento, com todo o material escrito disponível (o livro, escrito pela Eleuze; boletins informativos e reportagens em jornais e revistas sobre a endometriose) a ABEND ajudou a informar e esclarecer as dúvidas que eu tinha sobre a doença. Hoje, minha principal preocupação está em melhorar a qualidade de vida. Para essa nova consciência, o papel da ABEND tem sido fundamental, através da participação nos encontros e jornadas, do contato com tantas mulheres portadoras de endometriose e do conhecimento de novas pesquisas nessa área.”

Silvia Regina Grando, 35 anos, professora de química, Sorocaba.

 

Julho / 2002

“Dúvidas, apreensão, incertezas, desilusão, angústia, depressão...Estes são alguns dos adjetivos que melhor exemplificam o universo da mulher que se depara com o diagnóstico: ENDOMETRIOSE.

Eles se intensificam a partir do momento em que o médico prescreve o tratamento.

Como se já não bastassem as dores, os incômodos por ela provocados, a perda da capacidade de gerar novos seres e a forma pela qual nos submetemos à maratona de consultas, exames clínicos..., a fim de que se possa comprovar com eficácia o seu diagnóstico...enfrentamos os malefícios gerados pelo uso do medicamento.

A intenção é a de que se amenize, bloquei o avanço dela, em contrapartida, contraímos outros tantos que nos postamos diante de uma encruzilhada, e a dúvida surge: O QUE FAZER? Aceitamos ou não o tratamento?

Aliás, antes de nos posicionarmos quanto ao que deve ser feito, nos questionamos sobre o que ela é, por que aparece e se aparece do “nada”, ou do não desvendado, com o tratamento irá nos “deixar”? Estaremos curadas e livres de tantos incômodos?

Porém, uma vez aceitando nos submeter ao tratamento, e muitas vezes não temos outra escolha; resta-nos abrandar os chamados efeitos colaterais.

Engordamos...aliás inchamos, nosso cabelo reduz de volume, nossa pele adquire uma produção oleosa fora de época, perdemos nosso desejo sexual...

Se antes, ao vivenciar as dores, recusamos um contato físico, mais íntimo com o nosso companheiro; livre delas, não sentimos muito prazer, pois sob o efeito do medicamento ficamos como que anestesiadas para a prática de tal ato.

Perdemos cálcio, sentimos as reações de uma menopausa sem tempo certo, alteração de humor, estado de irritabilidade, depressão e “calores” povoam o nosso “dia-a-dia” no transcorrer do tratamento. E é muito difícil e complicado estar convivendo com todos esses efeitos.

Entretanto, para enfrentá-los com mais realismo e menos sentimentalismo; nós não somos objetos de cristal, que necessitam de todo cuidado para o seu manuseio; alteramos nossa rotina: caminhadas diárias, ginástica apropriada, alimentação adequada...a fim de que o passado, nada agradável, se transforme em um presente, indesejável e constante.

Portanto, apesar dos efeitos aparecerem, existem meios pelos quais os mesmos possam ser aliviados, e o que nos conforta é saber que eles nos acompanham somente durante a fase tratamentosa.

Assim, a mulher na fase de pós-tratamento assemelha-se à ave FÊNIX, que nasce das próprias cinzas. Nós, ressurgimos dos fragmentos de um ser dilacerado pela angústia da incompreensão, com o intuito de termos uma vida mais digna, humana e justa.”

Eleuze Mendonça

Presidente/Fundadora - ABEND

 

“São Jorge D’Oeste, 28/02/2000

Olá Eleuze! Tudo bem?

Sou Marli M. S. Galli me casei em maio de 1994, com o amor da minha vida, somos muito felizes, mas nos falta algo para completar a nossa felicidade: um filho! Não usamos nenhum método contraceptivo. Após 6 meses de casamento procuramos um clínico geral aqui de nossa cidade, pois minhas cólicas menstruais eram insuportáveis (já desde o tempo em que eu era solteira, menstruei aos 10 anos de idade) e não havia engravidado ainda, meu esposo achou estranho quando o Dr. Rafael me examinou e disse ao meu marido que eu tinha algo que ele não poderia diagnosticar, e nos encaminhou a uma ginecologista, Dra Rosângela. Passei o restante de 1994 e meados de 95, fazendo tratamento com Clomid e outros estrogênios tentando induzir a ovulação. As cólicas persistiam, dores...Em outubro de 95, a Dra. Rosângela solicitou que eu fizesse uma videolaparoscopia, meu plano de saúde não cobriu a cirurgia, então tive que pagar do meu bolso – R$ 1.300,00

Foi diagnosticado que eu era portadora de Endometriose. Não tivemos muita informação sobre o que seria isso, só nos disseram que essa era a causa da minha esterilidade (embora meu esposo já tivesse feito 6 espermogramas e a hipótese de esterilidade nele foi descartada). Comecei novamente o tratamento induzindo a ovulação, pois a dra. Falou que para me curar eu teria que engravidar. Novamente aquela frustração, todos os meses atrasava minha menstruação, eu ia fazer o BHC e dava negativo...Em dezembro de 1996 decidi parar de tomar os medicamentos Clomid, etc...

Em outubro de 1997 comecei a ter sangramentos anais, diarréia durante o período menstrual, pois quando não estou menstruada meu intestino fica preso, fui para a capital, levada por um casal de amigos ao Dr. Antonio Roxo Neto, que constatou que haviam fragmentos do endométrio no meu intestino. Chorei muito, pois ele que me deu mais explicações sobre a Endometriose, me desesperei só me perguntava: por que comigo? Por quê? Eu tinha um esposo maravilhoso, um emprego, condições de ter filhos e tantas que engravidavam contra a vontade, rejeitavam suas crianças...

O Dr. Antonio me receitou Dimetrose por 12 meses, na hora que fui comprar na farmácia me desesperei: R$89,00 a caixa, demos um jeito e eu fiz o tratamento. Passava mal, tonturas, ondas de calor por todo corpo, insônia, mas suportei, pois não estava menstruando, já era um alívio e ainda mais saber que iria curar a Endometriose instalada no intestino. Retornei a menstruar em novembro de 98, que bom, até maio de 1999 quando, infelizmente, voltaram as dores e cólicas, inchaço na barriga parecia que eu estava grávida de 6 meses, aí minha cunhada me levou para fazer um ultra-som com o Dr. João Moreno Filho, ele disse que eu não estava grávida, mas sim que tinha 5 endometriomas no ovário esquerdo e disse que teria que ser feita uma cirurgia de emergência para a retirada desses endometriomas e consequentemente o ovário e a trompa estavam comprometidos e teriam que ser removidos.

Eu e meu marido entramos em desespero, pois quais seriam minhas chances de engravidar com um ovário só, se com os dois já era difícil? Em 17 de julho de 99, já estava na capital – Curitiba – consultando com Dr. Marcelo Gomes Cequinel, no Hospital Evangélico fiz os exames pré-operatórios e foi marcada a cirurgia para o dia 27, foram os dias mais angustiantes de minha vida.

Entrei sem medo algum no centro cirúrgico, rezava muito, as outras pacientes diziam que eu nem parecia doente e que não sabia o que era ser mutilada. Todos aqueles comentários não me agradavam, eu sabia que Deus ia me ajudar e minha mãezinha – que já falecera quando eu tinha 9 anos – não iam me abandonar.

Quando acordei da anestesia geral, parecia que tinha morrido e nascido outra pessoa. O Dr. Marcelo veio me ver e disse a frase milagrosa “Não foi necessária a retirada do ovário e trompa, cauterizamos os focos de Endometriose e destruímos os endometriomas com o raio laser.” Coloquei minha mão sobre a barriga, e disse Dr.! Está tudo aqui, o sr. Não retirou nada mesmo. “Sim”, disse ele. “Você está livre da Endometriose por algum tempo, não posso dizer que você está curada, pois ela pode voltar em alguns ciclos ou como pode não voltar, nunca mais.”

Em janeiro de 2000, voltaram as dores fiz uma ultrassonografia e foram constatados cistos nos dois ovários. Decidi tomar injeção de Depo-Provera, vou tomar uns 10 meses para ver se não voltam mais esses cistos e para que eu possa ficar sem dores nos períodos menstruais. Meu filho...que espere mais um pouco, pois eu e meu esposo queremos passar alguns meses sem essa agonia da dor e da sombra da possível volta da Endometriose, pois o médico disse que se eu não menstruar ela não voltará tão cedo.

Eleuze, desculpe pelo desabafo, mas ao ler um folhetim da ABEND, que uma amiga me emprestou, vi o quanto é importante o seu trabalho perante essa associação e quero se possível, também, ser sócia, para poder ler, trocar idéias, pois nós portadoras de Endometriose não somos compreendidas, somos tratadas muitas vezes como depressivas, neuróticas, fingidas, e eu não tenho com quem conversar, a não ser meu marido, que graças a Deus é um anjo comigo.

Um beijo e um abraço,

Marli – São Jorge D’Oeste – PR.”

 

“Prezada Eleuze,

Agradeço muito pelos informativos sobre endometriose que você me enviou. Fiquei, vamos dizer, de certa forma me sentindo mais confiante por saber que muitas outras mulheres, assim como eu sofrem mensalmente com dores terríveis e crônicas.

Achei excelente a idéia de criar uma associação sobre isso, pois sem dúvida, é uma maneira muito eficiente de sabermos como estão os progressos em relação à doença e os novos métodos de tratamento e sua eficácia.

Bem, agora vou lhe contar, resumidamente, sobre mim:

Tenho 32 anos de idade, trabalho como secretária executiva bilíngue em uma empresa multinacional no interior de São Paulo e leciono inglês no período noturno, em uma escola de idiomas.

Desde os onze anos de idade sofro muito com cólicas menstruais, o que fez minha mãe me levar ao médico desde menina para assim, tratar e tentar amenizar o meu sofrimento. Há aproximadamente três anos, após inúmeros tratamentos utilizando medicamentos como por exemplo: Ladogal, injeções de Lupron, Mesigyna e outros, fui submetida a duas cirurgias. Após ser constatado um cisto no ovário direito de aproximadamente 9cm, fiz então a primeira cirurgia (ooforectomia), na qual foi retirado um cisto que pesou 210gr. Consequentemente perdi o ovário direito e parcialmente o ovário esquerdo, que estava também comprometido com outros dois cistos menores. Minha recuperação foi lenta e muito dolorosa, mas superei graças a Deus. Passaram-se seis meses, minha família e eu pensávamos que tudo estivesse acabado, porém as dores persistiam. Fiz novos exames com um novo médico e constatou-se um cisto de aproximadamente 5 cm no ovário esquerdo, ou melhor no que restou dele. Fiz então a Segunda cirurgia utilizando a técnica de videolaparoscopia e desta vez, a recuperação foi bem mais fácil e menos dolorosa. Vale a pena salientar, também, que meu médico, Dr. Carlos Ferraz, além de ser um profissional brilhante é um ser humano iluminado e pelo qual eu tenho uma grande admiração.

Em 1997, fiz um tratamento homeopático, mas infelizmente não surtiu nenhum efeito. Contudo, utilizo um medicamento que ameniza bastante os sintomas da TPM que se chama Prímoris, o qual é composto de óleos vegetais poliinsaturados.

Atualmente, continuo fazendo exames periódicos para manter o controle da doença, bem como tomando alguns analgésicos como; Tilatil, Cataflan, Lisador, injeções de Buscopan e outros do gênero para combater as dores, contudo está muito difícil suportá-las, pois além de serem fortíssimas, iniciam-se 12/15 dias antes da menstruação e perduram até quase o final do ciclo que dura cerca de 6/8 dias.

Apesar de tudo, tenho muita esperança que irei melhorar, seja utilizando algum medicamento ou qualquer outro tratamento, só não desejo me submeter a uma cirurgia radical, por isso meu médico e eu estamos tentando de tudo para que isso não ocorra, mesmo por que sabemos que esse tipo de cirurgia requer um tratamento sucessivo com cálcio e hormônios e infelizmente, o tratamento com hormônios, no meu caso causa efeitos colaterais muito ruins como náuseas contínuas. Minha esperança e confiança vem sobretudo de minha mãe que há anos está comigo nesta batalha e está sempre pronta a me ajudar, seja com uma xícara de chá, uma palavra amiga ou um telefonema durante meu trabalho para saber se melhorei. Acredito, é claro que as doenças devem ser tratadas com medicamentos e ajuda dos médicos, mas essa energia positiva e espontânea que eu recebo, no caso da minha mãe, é fundamental para qualquer tratamento, a exemplo disso temos os Doutores da Alegria que estão desenvolvendo um trabalho excepcional com crianças que têm as mais diversas e graves doenças. Infelizmente, eles não levam a cura para seus males, mas por outro lado contagiam-as com um sorriso, um carinho e uma palavra de conforto. Por isso, desejo que vocês companheiras, encontrem também em seus familiares e amigos uma palavra de conforto, confiança e motivação para continuarem lutando contra esse problema.

Eleuze, parabenizo-a mais uma vez por essa iniciativa e agradeço-a por toda a sua atenção.     

Atenciosamente,

ACFM – Valinhos – SP”

 

“Rio de Janeiro, 20 de Agosto de 2001.

 

Oi Eleuze,

 

Meu nome é Vanice Prezado Lee da Silva, tenho 26 anos, sou casada há 4 anos e exatamente em outubro do ano de 2000, resolvemos nos preparar para ter nossos filhos, mas para nossa surpresa, durante alguns exames tivemos a desagradável notícia que eu estava com Endometriose, porém sem muita certeza, daí começou um longo processo de descoberta sem grandes certezas.

Sempre fui a ginecologistas, mas nunca me informavam do meu problema ou me davam diagnósticos concretamente precisos.

Em outubro de 2000 fui numa médica no prédio onde trabalho, eu estava com cólicas e como de costume ela me examinou, e logo diagnosticou Endometriose e mandou tomar o medicamento Dimetrose para controlar o problema, porém fiquei um pouco assustada com o procedimento dela, até porque ela me tirou toda chance de ser mãe, não me deu nenhuma esperança. A partir disso procurei outra médica para comparar o diagnóstico e ela me examinou e percebeu uma massa entre o reto e o útero, me aconselhou fazer uma vídeo-laparoscopia.

No dia 17 de fevereiro de 2001, fiz a vídeo-laparoscopia onde foi constatado endometriose entre o útero e o reto, retirei um pequeno mioma e fiz uma raspagem de aderência.

Tomei Dimetrose até princípio de junho e a médica achou melhor trocar pelo Zoladex para acelerar o tratamento, não me adaptei com a injeção comecei a passar mal no período em que tomei a primeira dose, tive problemas de nervos e minhas cólicas aumentaram, com tudo isso sem procurar a médica, até o dia em que após uma relação sexual tive sangramentos achei que fosse algo mais grave (um aborto talvez), pois foi como uma hemorragia, nunca vi tanto sangue saindo de mim, fiquei desesperada liguei para a médica e ela me informou por telefone que era normal, que não precisava ficar preocupada.

Perdi a confiança nela a respeito do meu problema, pois até que ponto aquilo era normal para uma pessoa com o diagnóstico como o meu, sabendo ela que meu maior sonho é ser mãe. Não me dei por satisfeita e procurei outro médico que me passou uma ultra-sonografia com Doppler, ele constatou que um dos ovários ainda estava em funcionamento e que tomando a injeção aquilo não era normal, porém na mesma hora suspendeu o Zoladex e mandou voltar com o Dimetrose, onde estou tomando até a data de hoje.

O médico não pôde tomar conhecimento profundo da cirurgia, pois a médica que fez a vídeo-laparoscopia, por incrível que pareça não filmou porém não tenho uma prova concreta do volume da Endometriose.

Ele me mandou procurar um proctologista para fazer um exame mais preciso que mostre o andamento do processo de recuperação, com o  procto fiz uma tomografia (que foi comparada com a que eu fiz em dezembro de 2000) e uma colonoscopia que constatou que meu problema reduziu e se encontra estável.

Hoje continuo com o meu maior sonho que é ser mãe, e tenho certeza que vou conseguir com a ajuda de Deus, e Nossa Senhora de Aparecida, pois é um sonho que eu em momento algum abro mão de realizar.

Eleuze, continue sendo esta pessoa maravilhosa que você é, não desista nunca de faze o que você faz, pois sem a sua ajuda nós mulheres ficamos desamparadas, você nos dá força e vontade de vencer.

Mande-me mais informações, pois, preciso saber também se estes procedimentos que estou passando ou que estão sendo realizados são corretos? Quais são minhas chances de engravidar? E em quanto tempo costuma demorar o tratamento?

Obrigada pelo seu lindo trabalho.

Beijos,

Vanice.”

Agora a mensagem da Maria Juliana, de Barra Mansa/RJ:

 “Eleuze

Paz e Bem!

Que alegria foi ao chegar receber seu carinhoso abraço! Que acolhida de coração! Queria te conhecer pessoalmente! Obrigada por tudo! Que Deus te cubra com luz e sabedoria para continuar esta missão.

Uma mensagem:

‘Percorri o vale escuro da dor, subi pela encosta íngreme das dificuldades e da luta, e cheguei ao pico da montanha, comecei a ver. Comecei a sentir a mão de Deus a me conduzir e a luz divina a iluminar todos  os meus caminhos. As trevas se iluminaram e a escuridão da noite cedeu lugar ao dia cheio de Sol. (Mesmo que 3/8/02, em São Paulo, estivesse frio, chuvoso, debuloso e cinza. Apesar de numa sala havia muitos corações irmanados, aquecidos e reabastecidos para novas escaladas).

Assim como o intenso brilho do Sol ilumina as trevas da noite, o brilho intenso da luz divina dissipa todas as nuvens de tristeza.

Quanto maior a luta, tanto mais profunda a alegria da conquista.’ Frei Anselmo Fracasso

Livro: 50 anos de luz nas trevas

 Eleuze, a Jornada nos acrescenta, desafia, elucida, incentiva e faz crescer.

Muito obrigada,

Maria Juliana”

 Muito obrigada, querida Maria Juliana. Esta sua mensagem, não só ficou gravada em nossos corações, bem como, ficou registrada nas fotos e nas fitas da Jornada.

 Um beijo.         

 

 

 

 

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