ENDOMETRIOSE
PROFUNDA OU DE SEPTO RETOVAGINAL
Mauricio
Simões Abrão *
*
Professor Livre Docente pelo Depto. de Obstetrícia e Ginecologia da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Responsável
pelo Setor de Endometriose da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
A
endometriose representa afecção ginecológicas muito estudada nos últimos
anos. É muito freqüente,
acometendo em geral mulheres na menacme. Estima-se que 10 a 15 % das mulheres na
idade reprodutiva possam ser portadoras desta moléstia.
Dentre
os locais mais comuns onde a doença pode ocorrer, podemos citar o peritôneo
(tecido que reveste internamente toda cavidade abdominal), os ovários e a região
posterior do útero, onde fica o septo retovaginal.
O QUE É O SEPTO RETOVAGINAL
Septo
retovaginal é a região que fica entre a vagina e o reto, conforme pode se
observar na figura 1. Corresponde a um tecido fino, que separa estas duas
estruturas É uma região delicada, pois a endometriose neste local pode levar a
sintomas vaginais e intestinais.
Mais
recentemente, redefiniu-se septo retovaginal como a região que fica entre a
vagina e o intestino, mas abaixo do colo do útero, ou seja, abaixo do terço médio
da vagina. As lesões que ocorrem acima desta localização, são chamadas
atualmente de endometriose profunda, retro-cervical (atrás do colo uterino).
OS SINTOMAS
Esta
é a forma de endometriose mais sintomática. A dor é o principal problema,
seja na menstruação, na relação sexual ou fora da menstruação. Além
disto, sintomas intestinais durante a menstruação tais como dor para evacuar,
diarréia ou mesmo prisão de ventre e principalmente sangramento anal são
importantes. Por fim a paciente pode ter dificuldade para engravidar ou alterações
menstruais.
O DIAGNÓSTICO
O
primeiro elemento no diagnóstico deste tipo de endometriose é a queixa clínica.
É fundamental que o médico valorize os sintomas de dor na relação sexual e
principalmente os sintomas intestinais, além da cólica. Além disto, um exame
físico bem feito é a chave para a continuidade do diagnóstico.
Do
ponto de vista laboratorial, O CA 125, dosado no sangue durante os três
primeiros dias da menstruação é útil para compor o raciocínio.
Um
dos pontos que mais evoluiu no diagnóstico é o diagnóstico por imagem. Hoje
é possível, por ultra-som transvaginal, feito com preparo intestinal e por
profissionais devidamente treinados para isto, definirmos o tamanho da lesão, a
localização em relação a vagina e ao intestino. Para tal, é necessário que
a paciente evacue antes do exame (para isto recomendamos o uso de um laxante
específico) para que fezes no reto não dificultem a visualização da doença.
Como método auxiliar, quando o ultra-som não for suficiente para conduzir o
diagnóstico, recomendamos a ecoendoscopia retal, também denominado
ecocolonoscopia, que pode complementar o exame de ultra-som. É um exame mais
caro e mais complexo, necessitando de sedação mas que pode fornecer informações
adicionais preciosas. Por fim, a ressonância magnética pode auxiliar, apesar
de fornecer informações mais pobres que o ultra-som especializado ou a
ecoendoscopia retal.
O
TRATAMENTO
Partindo
de uma sugestão diagnóstica de doença profunda, o tratamento de eleição é
a ressecção do nódulo preferencialmente por videolaparoscopia. Esta ressecção
depende das camadas intestinais acometidas. Se apenas a musculatura superficial
do intestino estiver acometida, recomenda-se a ressecção do nódulo. Se a lesão
for mais profunda, se aproximando da mucosa intestinal, indica-se a ressecção
do segmento intestinal alterado. O que é mais importante neste contexto é o
preparo adequado do intestino antes de qualquer cirurgia deste tipo, além do
preparo da equipe cirúrgica para realizar este procedimento, com a presença de
especialistas capacitados para o procedimento.
Após
o procedimento cirúgico recomendamos o bloqueio menstrual por três meses com
análogos do GnRH, medicações que reduzem temporariamente o nível de estrogênio
na mulher. Se a paciente desejar gestação, recomendamos tratamento dirigido
subsequente para este fim Caso contrário, mantemos o tratamento com DIU
medicado com progesterona ou pílulas anticoncepcionais combinadas.
A
realização de exercício físico regular e cuidados com o emocional, como com
o auxílio de psicoterapia ajudam muito no tratamento.
Em
situações menos freqüentes, onde houver poucos sintomas, é possível
considerar-se o tratamento não cirúrgico, com atenção máxima para estes
casos.